Friday, July 14

a dor que mais dói

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dói. Bater a cabeça na quina da mesa, dói. Morder a língua, dói. Cólica, cárie e pedra no rim também doem.Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dói essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripandono inverno, não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho.
Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu, não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Coca-cola, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ele esta com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela esta mais magra, se ele esta mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

*Autor desconhecido.

Thursday, July 13

leves complexos simples


Porque a vida torna-se estranha acompanhada de suas caixinhas de surpresas.

Não sei se estranha seria a designação certa, ou se intrigante cairia melhor.
Não sei.
Não sei nada.

Isso tudo sempre existe dentro de mim, mas fica evidente em momentos em que me isolo e dou razão à nostalgia.

°Nostalgia: melancolia, abatimento profundo de tristeza, causado pelas saudades do lar ou da pátria.


Sempre achei melancolia uma palavra muito forte, não gosto de usá-la.
Abatimento profundo de tristeza pode até ser, mas não me encontro em um estado, digamos, depressivo.
Saudades do lar, da pátria?
Seria mais exata se dissesse do passado.

Falta do que não volta mais.
Do que já voltou outras vezes, mas que não seria correto voltar agora.
Saciaria minha vontade, mas trilharia um caminho com respostas errôneas.

Rebeldia já não me indigna mais.
Antes eu fazia o meu caminho sendo ele certo ou não, apenas de acordo com o meu querer.
Mas ao longo do tempo a gente percebe que existem pessoas ao nosso redor.
Que existem corações dentro dessas pessoas e sentimentos no interior deles.
Pessoas e sentimentos.
Frágeis, como eu.