Wednesday, October 10

Dá tanta saudade.

Chegar e ser recebida pelo nome e com um bom dia contagiante. Fazer o caminho – de sempre- do portão até à sala e ver a maioria de seus amigos no parquinho, porque “perdeu” a primeira aula. E ainda enganar o Bosco dizendo que aquele era o novo Tisc do 3º ano. Jogar adedonha nas aulas mais chatas e se empolgar em outras, como a do Markus Tavares. Levar chitão e bombons pra comer na quarta a tarde. Correr, assim que der o último toque, pra chegar primeiro no posto e conseguir uma cadeira e uma tortinha de frango. Se esconder do Armênio na casinha do parque. Inventar que tava com cólica pra perder a primeira aula. Gazear com mais um monte de gente dentro do banheiro e fazer código Morse, com o chuveirinho, junto com os meninos do banheiro ao lado. Levar cartelinhas de jogos pra brincar de passa ou repassa com as torneiras. Levar carão da Cris porque tava sentada na pia ou em pé no vaso sanitário. Ser quase suspensa com mais cinqüenta e sete pessoas, rezar pro Armênio não ligar pras mães e elas proibirem de cada um ir pro Ceará Music. Esquematizar as pescas de cada prova. Ter que assinar um boletim de ocorrência porque estava se beijando na quadra. Deitar na cantina, ouvindo música e comendo besteiras, pra assistir aos treinos dos meninos. Ficar no colégio de 7h da manhã às 9:30 da noite. Super cansativo, mas realizante. Afinal, era a nossa casa. Mais primeira do que segunda.

Essa sensação de conforto, de ser bem acolhida, de ver muito de seus amigos freqüentando o mesmo espaço e perceber que é sua casa, ainda existe quando se chega lá. Mas, querendo ou não, é diferente. É diferente quando você ouve o toque e não tem alguma sala para ir, é diferente quando alguém te vê deitado na quadra e não te mandar ir pra aula, é diferente não ser completamente um aluno Santa Cecília. E isso dói, dói tanto. Ali eu vivi minha vida toda ou parte melhor dela. Criei vínculos e aprendi valores que o tempo jamais vai tirar de mim.

E às vezes eu tenho vontade de gritar pra todo mundo ouvir o quanto isso é essencial na criação de alguém. Ninguém de fora consegue perceber que isso é o importante? Vestibular tem todos os anos. Decorar números e palavras não vai fazer com que ninguém seja um ótimo profissional, apenas te passa em uma prova que teimam em dizer que mede algum tipo inteligência. O que vale na vida é o que você conseguiu realmente aprender durante todo esse tempo. Aprender, não decorar. São os valores e não os estudos que te deixaram loucos a ponto de pensar em se matar.

"É talvez eu seja simplesmente como um sapato velho
Mas ainda sirvo se você quiser
Basta você me calçar que eu aqueço o frio dos seus pés"